A Marca Pessoal de Salvador Sobral
- 14
- Mai
- 2017
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- InMarca Pessoal
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Quando liguei a televisão a canção de Portugal já tinha dado. Não conhecia a canção e do que vi, a partir da canção do Azerbaijão, achei muito da mesma coisa; muito ritmo, muito fogo de artifício, muitos efeitos especiais o que deu para entender que era uma parte crucial nesta competição para ser o vencedor. Confesso que não tenho acompanhado muito os outros festivais nos últimos anos; as minhas recordações mais fortes são da minha infância, ainda a viver na Holanda, quando víamos todos os concorrentes com visuais que representavam a sua cultura original e sonhava conhecer esses países com línguas tão diferentes da minha.
Finalmente, no resumo das todas as atuações, conheci um pouco das canções todas e não havia dúvida que a canção de Portugal se destacou pela ausência desses efeitos especiais que os outros cantores usavam e abusavam. Surpreendeu-me, mas também não tinha uma canção favorita que se destacava entre todas as canções.
A seguir foi comunicado o resultado que todos nós já sabemos: Portugal ganhou! Ou melhor, a autenticidade prevaleceu. A simplicidade destacou-se. A pureza foi o elemento mais valorizado. Tudo na personagem de Salvador Sobral que, aparentemente ainda um pouco abalado com o estatuto de ser uma estrela de um momento para outro, não fez mais do que mostrar a sua marca pessoal e o que sentiu no coração. Não fez mais do que seguir a sua paixão sem pensar na fama, dinheiro ou estatuto. E é isto que encantou as pessoas. Milhões de tele-espetadores votaram numa canção da qual nem percebiam a letra. Mas a emoção e a paixão do cantor conseguiram tocar nas emoções deles.
A situação fez-me lembrar um pouco a primeira atuação de Susan Boyle em 2009 quando cantou no programa ‘Britan´s got talent’. Uma senhora que parecia ter vindo de um outro mundo, longe da cidade e longe de estar a par das últimas tendências de moda. Quando apareceu, o júri e o público tiveram alguma dificuldade em suprimir o seu espanto pela aparência demasiada simples da senhora. Mas tudo mudou quando começou a cantar. Com uma voz pura e sem nenhuma falha, conquistou logo os corações dos ingleses e ganhou milhões de libras a partir de aí.
Ambos os cantores ensinam-nos uma grande lição e dão-me esperança em relação ao que o ser humano realmente valoriza quando ouvimos o nosso coração: autenticidade acima de espetáculo, qualidade acima de quantidade, simplicidade acima de fogo de artifício e paixão acima de uma atuação. Num estudo realizado em 2013 pela University of London, uma cientista mostrou a uma audiência de 1000 pessoas vídeos sem som de pianistas que concorreram numa competição internacional. Conseguiu provar que o grupo, só olhando para a linguagem corporal e expressões faciais, foi capaz de identificar os vencedores.
No meu trabalho enquanto mentora e formadora constato muitas vezes que as pessoas estão desmotivadas no seu trabalho porque há colegas menos qualificados que eles que ganham mais ou que são promovidos com mais facilidade que eles só porque têm mais visibilidade. Ou outros que estão desmotivados porque os chefes não valorizam as qualidades que têm. Trabalham muito, dão ideias novas, comunicam o que acham que deve ser melhorado mas mesmo assim sentem que os chefes desvalorizam este esforço de tentar melhorar em determinadas situações. Conclusão: acham que devem ser menos autênticos, ser como alguns colegas que não trabalham com a mesma ética mas que se conetam com as pessoas certas para subir mais facilmente.
Mas claro isto não é a solução. Ninguém que se identifica com valores como a autenticidade, respeito e qualidade vai conseguir fazer um bom trabalho e ser feliz se abdicar desses valores.
O caso do Salvador Sobral mostra mais uma vez que se formos fiéis em relação ao que sentimos que é a nossa missão, se não esquecemos o nosso propósito e deixarmos os críticos de lado, conseguimos atingir o nosso objetivo. Sim, há pessoas que devem pensar mais na auto-promoção (o que é diferente que vender ou enganar o outro), no networking e na assertividade em reuniões. Mas este caso provou que no fim das contas, queremos pessoas autênticas, que sabem a sua qualidade diferenciadora e que não se deixam influenciar pela opinião dos outros quando acreditam que tem algo para dizer ou fazer. É importante aquilo que dizemos, mas se sabemos aquilo que é importante para nós, se ficamos fiéis aos nossos valores, a nossa comunicação será muito mais impactante e será muito mais fácil de ser ouvido.
Obrigada Salvador Sobral, uma marca pessoal de exemplo!
Manon Rosenboom Alves
Consultora & Formadora na Reinvent Yourself – powered by Colour me Beautiful Portugal
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